ॐ :a concha em seu ouvido trazendo o barulho do mar: ॐ

ॐ Este espaço foi criado com o intuito de mostrar tudo aquilo que se passa na cabeça de alguém. E esse alguém pode ser tu. Um espaço com pensamentos, frases, sentimentos e tudo aquilo que tá presente na vida de cada um de nós. A busca incessante do equilíbrio. Um espaço onde podemos anteceder suspiros e adiantar desesperos. Ou não. ॐ
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sitting waiting wishing - jack johnson, versão morning sun
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:: Sexta-feira, Janeiro 13, 2006 ::

o texto a seguir, foi um diálogo escutado na mesa ao lado em um bar...

"eu lembro do rosto dela sim, faz mais ou menos 3 anos que isso aconteceu e desde então a gente não tinha mais se encontrado. claro que a gente sempre acaba lembrando de alguma coisa, algo sempre nos remete ao pensamento anterior, principalmente quando ela se mudou. foi quando nos deixamos de nos falar. na verdade ela tinha planos de ir pro exterior depois que se formasse. acho que se formou há pouco tempo, pelo que me lembro ela tava prester a receber o canudo. lembro também que na época ela recém tinha conhecido um cara, e que tava meio que começando a namorar com ele. sei lá se ainda estão juntos, ontem pelo menos ela tava sozinha lá no bar. ouvi a paula comentando com as amigas que ela tá com a pele boa, que tá com uma cara e uma cutis excelentes. pô cara, uma vez ouvi um papo sobre isso e tal, disseram que o sexo ajuda em muito nessas coisas. deve tá com o cara ainda, e transando bastante. ou não. ah, também não me importa. quer saber, claro que importa. porque tu sabe, tu é o único amigo meu que sempre soube o que rolava entre eu ela. e eu também sabia. e ela também sabia. mas ela teve que viajar e deixou algumas coisas pra trás. pô, tu lembra aquela vez que a gente tava naquele bar e eu, já meio no trago, perguntei pra ti se ela era que tava ali, sozinha, encostada no balcão tomando uma cerveja. com o cabelo solto, um colar no pescoço, uma saia comprida, chinelo baixo e uma blusa branca. e tu me disse que não, que eu já tava vendo coisa. lembro até hoje a mensagem que mandei pra ela naquela noite pelo celular: "tô te vendo em outros rostos". o engraçado é que isso ainda acontece. pode passar alguns dias, alguns meses, mas volta e meia acontece alguma coisa que me faz lembrar dela. pior foi ontem no bar, parecia a mesma cena. ela tava lá, sozinha encostada no balcão tomando uma cerveja. com o cabelo solto, um colar no pescoço, uma saia comprida, chinelo baixo e uma blusa branca. parece piada, tava igualzinha como há 3 anos. igual. e quando ela me viu, foi como se a gente se visse como na primeira vez. tu lembra né que te falei como foi? na época ela entrou no meu carro e a gente foi dar uma volta pela cidade. acabamos parando num posto pra comprar umas cervejas. a gente não conseguia se olhar no olho. é como aquela velha história do menino que pegava o mesmo ônibus de uma menina. eles sempre sentavam de frente um pro outro no ônibus. e sempre que um olhava pro outro eles desviavam o olhar, não conseguiam ficar se olhando. isso durou um mês. teve um dia, que ela desceu na parada que geralmente descia. e quando chegou na calçada, olhou pra trás e ficou olhando pra ele. e o ônibus partiu. no outro dia, ele tava decidido em ir falar com ela. só que ela não tava no ônibus. ele pegou o ônibus todos os dias seguintes, no mesmo lugar, no mesmo horário e sentava no mesmo banco. só que nunca mais encontrou ela. e pô cara, eu não posso deixar esse ônibus partir entende."


:: 9:16 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Quinta-feira, Janeiro 12, 2006 ::

ao ler paixões através de um brilho original... e único... quando alguém torna-se inesquecível... nos faz chorar, nos faz sorrir... e arranca os mais belos sentimentos... e se torna inesquecível... e nos faz querer mais e mais... saber tudo o que pudermos saber...

:: 5:03 AM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Segunda-feira, Janeiro 09, 2006 ::

"o sussurro da maré montante, uma folha seca de amendoeira arrastada pelo vento, o gorgulho de um peixe saltando... (...) eu deixava a areia correr de entre meus dedos sem saber ainda que aquilo era uma forma de cortar o tempo. Quando não havia luar era mais lindo e misterioso ainda. Porque, com a continuidade da mirada, o céu noturno ia desvendando pouco a pouco todas as suas estrelas, até as mais recônditas, e a negra abóbada acabava por formigar de luzes, como se todos os pirilampos do mundo estivessem luzindo na mais alta esfera. Depois acontecia que o céu se aproximava e eu chegava a distinguir o contorno das galáxias, e estrelas cadentes precipitavam-se como loucas em direção a mim com as cabeleiras soltas e acabavam por se apagar no enorme silêncio do Infinito. E era uma tal multidão de astros a tremeluzir que, juro, às vezes tinha a impressão de ouvir o burburinho infantil de suas vozes. E logo voltava o mar com o seu marulhar ilhéu, e um peixe pulava perto, e um cão latia, e uma folha seca de amendoeira era arrastada pelo vento... (...) E eu ia, coisa volátil, ao sabor dos ventos que me levavam para aquele mar de estrelas, sem forma e corpo e ouvindo o breve cochicho das ondas... (...) E eu me levantava, sacudia a areia do meu corpo, dava um beijo de bom-dia na face que ela me entregava, pulava a janela de volta, atravessava a casa com pés de gato e ia dormir direito em minha cama, com um gosto de frio em minha boca."


Menino de ilha - Vinícius de Moraes

:: 7:12 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________

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